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sábado, abril 16, 2011

Lágrimas


Lágrimas...
Corpo, siga meus passos!
deixe o caminho passar
no futuro, presente e passado...
olhos, vejam a paisagem mudar...
segundos o tempo absorve
memórias tendem a divagar...
alcunha da vida é a morte
preciso de sorte para despertar.
Lágrimas saltam,
não suportam mais dor...
globos da face, janelas da alma,
universo da mente, infinito amor...

Herik Rocha

terça-feira, outubro 05, 2010


ATÉ OS RATOS REAGEM

IDÉIAS, IDEAIS, IDEOLOGIAS BANAIS
SE TORNAM HIPOCRISIA
É DISCRIMINATÓRIO, O MUNDO EM QUE EU VIVIA
E A VIDA ME DIZIA

NÃO ADIANTA TALENTO, NEM MESMO ARGUMENTO
FILOSOFIA DE VIDA NÃO LHE GARANTE O SUSTENTO

ATÉ OS RATOS REAGEM
MAS TEM QUE TER CORAGEM

SEJA DE ESQUERDA OU DIREITA, CATÓLICO OU CRISTÃO
TOCANDO SUA GUITARRA, PANDEIRO OU VIOLÃO
EM ALGUM MOMENTO NA VIDA, EM FRENTE AO PAREDÃO
VC SERÁ PRESSIONADO E TERÁ CORAGEM OU NÃO

"EM ALGUM MOMENTO A VIDA LHE COBRA UM CAMINHO,
ERGUER A SUA BANDEIRA OU ALIMENTAR SEU FILHO
ELA TE OLHA NOS OLHOS E AINDA LHE DIZ SORRINDO
ACEITE ESSA PROPOSTA OU SIGA SEU DESTINO"

NÃÃÃOOOOOOO

E CORTE SEU CABELO E FAÇA ESSA BARBA
NÃO USE ESSA ROUPA, NEM DIGA ESSA PALAVRA
ESQUEÇA SUA VIDA ELA NÃO VALE NADA
RECEBA UM TAPA NO OMBRO E VENDA SUA ALMA
MAS ELES TEM CORAGEM

Darc Lepres

quarta-feira, setembro 08, 2010

INVERNOS E ARRITMIAS

Pulsando entre epilepsias,
retardos e aminesias,
eu findo os dias,
fissuras mil,
no ranger dos dentes
por bem,
por mal,
tanto faz,
algo a menos,
ou um pulsar a mais.

Solfejo o vento,
me misturo a ele,
sou mais lento,
e vou,
como se pudesse,
como se aqui estivesse,
calado entre risos e ironias,
invernos e arritmias,
sorrindo com taquicardia
e pulsando entre epilepsias.

HELIO ANDRADE

sábado, junho 12, 2010

BIA NANDES - I

A maçã



A doce maçã,

Grande, vermelha,

Eva me presenteou.

Botei posta à mesa,

Forrada por folhas verdes

E sentada passei metade do dia

Esperando-o chegar.



Ao entardecer chegou ele

Suado, exausto,

Pousou olhos a mim

E sentindo o cheiro tentador da maçã

Mordeu VA-GA-RO-SA-MEN-TE

Sentindo o gosto molhado espalhar-se em sua boca



Desejando-me mais do que a pele.

Pousou a mão sobre meus cabelos

Desfolhando em mim a rosa vermelha



Desfolhando-me toda vermelha.

sábado, fevereiro 20, 2010

VERÔNICA MATOS

Hoje por entre nuvens e gotículas de chuva
Me pego em um sentimento estranho que se divide
Entre o vazio da solidão e a euforia de um coração.
Sim, quero sim, que um corpo me abrigue em seu calor.
Incerteza, crença, esperança, 
solidão e multidão se misturam nesse imenso nublado dia.
Me vejo a esperar alguém que não chegará
Espero o tocar do telefone, mas quem ligará?
Quero a libertação de sentimentos, porém quem amarei?
Perto, longe,acolá
Onde estará você?
A quem espero sem saber!
Será que um dia virá?
Ou a juventude passará
como um dia de chuva de verão e você não aparecerá?
Ah! Chuva que lava os céus
Lave-me e purifique-me
Para encontrar quem um dia virá.!
Que seja plural ou singular,
Alegre ou cantante,
Milico ou poeta,
Mas que seja assim: "Eu prá você, Você prá mim..."

Verônica Matos


domingo, outubro 12, 2008

QUELI CRISTINA

PUDORES

Pudores despudorados.
A essência da mentira disfarçada em meias verdades.
O ego elevado
Inflamado despenca do mais alto patamar.
O cinismo disfarçado circula em nosso lar
poluindo e pesando o nosso ar.
O homem e suas peripécias.
Ainda hoje, em pleno século XXI, temos choques culturais,
pré-conceito e preconceitos
de um conceito sempre desfeito.
O ser em seu reinado absoluto dissolúvel
numa sólida ilusão cai no vão da razão,
detém-se ao não, pois o sim é difícil,
difundindo-se o sim com o não.
E assim vamos vivendo
na certeza de que ninguém anda nos vendo,
e mentindo para nós mesmo
só para nos satisfazermos,
e o desejo incontido e contido
com as boas maneiras imposta
ainda lá no ventre da mãe gentil.

QUELI CRISTINA

domingo, setembro 21, 2008

Glórinha Anchieta I

Desaparecidos

Há uma dor

Um vazio

Uma espera interminável

Uma busca incessante

Um grito preso na garganta

Uma ferida no peito que não fecha

Há muita amargura

No coração de todo aquele

Que um dia

Ao olhar para o lado

Viu que ali não estava

Um fruto seu

Dolorida palavra

Para expressar tamanha angústia

Que maltrata tantos corações

Gerando a aflição de uma eterna busca

Por um filho

Um companheiro

Um pai

Um irmão

Desaparecido no mundo

Porém no peito

Nunca morre a esperança

De um reencontro

Porque quem ama

Pode desaparecer no caminho

Mas jamais no coração



Glórinha Anchieta – GG

Tarde de outono

25/05/2008

quinta-feira, maio 01, 2008

Sobra de Saudade

Eu me apresento:
Aos presentes que nunca ganhei
Ao me comportar a espera da recompensa que não vem
Ao último copo que quebrei
Ao ônibus que passou e eu não peguei
Aos lugares lotados, justo na minha vez
Ao progresso apressado que veio e eu como sempre pouco me importei
Eu me apresento e mando lembranças:
Aquela menina que só soube me amar uma única vez
Mas que ainda assim telefonei
Ao arrepio no corpo que procurei
Ao grito no vazio que não dei
Ao choro preso que quase despeijei
Ao sonho que disperdicei, consumindo desejos
Ao cair... Mas não poder dizer: - Me joguei
Ao tentar me achar
Mas ter medo de se perder
AO CONFORTO DE SI MESMO QUANDO SE ESTÁ SOZINHO
AO CARINHO QUE SE FAZ AO SUSPIRAR (QUASE FALTANDO AR)
Ao querer mais de uma noite, pois ela dura pouco p'rá quem sabe viver
A sobra de saudade que me fez acordar p'rá você e escrever
A falha no lembrar que por vezes me fez de vocês, esquecer
As palavras que pensei
Mas nunca consegui dizer
As mentiras que já contei
Ao sangue de soco bem dado que nunca tirei, nas brigas que causei
As pessoas que nunca gostei
Aos foras que já tomei, amores que inventei
Aos saltos que ousei
Aos conceitos e preconceitos que já guardei e desprezei
As desculpas que nunca pedi, nem dei
Aos encontros que dispensei
Aos corpos que quase me apaixonei
Mas pesei e no fim só usei
Eu, hoje, só me apresento:
A você que desde sempre amei

Alline ♫

sexta-feira, março 21, 2008

O DUELO PERFEITO

O DUELO PERFEITO

Hoje eu acordei pra celebrar a vida,

Fazer parte de uma história esquecida.

Enfeitar um móbile no berço

E sorrir das suas voltas imprevistas.


Acordei para relembrar os fatos,

De um tempo passado,

Comemorar cada enterro como se fosse o meu próprio.


Beijos nostálgicos,

Olhos fechados,

Erros marcados,

Como um “tic-tac” errado.


O último adeus levo a ti.

Falta, sei que irei sentir.

Falta das alegrias vividas,

São tantas dores e noites sofridas,

Com a presença da agonia de sua ausência.


Um samurai errante,

Em busca do duelo perfeito.

Somos guerreiros,

Ferindo terceiros.


Indiretamente, sei que fiz!

Trago a ti, uma agonia infeliz.


IVAN LIMA

ISA LIMA

HELIO ANDRADE

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Valdemir Jose da Costa I

Manual prático de como se fazer um poema em dez lições:

1ª. Lição: O poeta precisa se desligar do mundo, ficar em coma, de preferência físico, mas se não der pode ser alcoólico. Escrever como se estivesse em uma cadeira elétrica e se eletrocutasse a cada 5 segundos.

2ª. Lição: O poeta não pode ter medo de nada, o poema precisa ser poderoso, meio mafioso, o poeta precisa escrever como se estivesse se afogando em algo gostoso.

3ª. Lição: O poeta precisa escrever algo diferente, inusitado e ao mesmo tempo algo que todos conheçam. Algo perfeito e raro como um diamante ou prático e comum como um rolo de barbante.

4ª. Lição: O poeta precisa ser incisivo, específico e ao mesmo tempo superficial. Falar de um assunto sem dizer coisa alguma e ser compreendido, falar de vários assuntos com o mesmo tema ou variar o tema, mas manter o assunto. Ser prolixo sem falar absolutamente nada.

5ª. Lição: O poeta precisa sair do nada e ir em direção ao infinito. Não se importando se no final o poema ficará feio ou bonito, na verdade o poeta não pode se preocupar nem com a sua própria vida.

6ª. Lição: O poeta não pode ter escrúpulos, não poupe ninguém, mate todos no final, afinal! Estamos em guerra contra o aqui e o agora. Não pense, nem mire, só atire. Se acertar tudo bem, se não vá embora.
7ª. Lição: O poeta não precisa entender o poema, poema não precisa ser entendido, nem explicado. Poema é para ser sentido, cheirado, comido, como olhos de peixe, manga madura e jiló. Poesia é pimenta! Não é alimento, não sustenta, como leite em pó.

8ª. Lição: O poeta deve desconfiar de tudo, o poema precisa ser sujo. Ser bosta na forma de adubo. Sórdido como o vôo perfeito do super-men, sagrado como NY, São Paulo, Greenwich e Jerusalém.
9ª. Lição: O poeta precisa ser sem vergonha, fumar maconha, injetar na veia, ouvir o canto da sereia, andar pelado, nadar suado, se embriagar com o nada e se afogar no vazio.
10ª. Lição: O poeta não pode procurar a verdade, ele precisa ser a verdade, maciço com como o granito, mole como pipoca. Ser de rio e de mar como uma pororoca.

Na verdade o poema verdadeiramente poético é superficialmente abissal, metodicamente visceral, é o arquétipo de si. É o bem e o mal mastigados na boca de um dragão. É a antítese do sim, mas não é um não.


Bloco domiciliar cinco Meriti, Estado Continente Rio de Janeiro, 06 de
Janeiro de 3495.
Valdemir Jose da Costa

segunda-feira, outubro 08, 2007

EDGAR ALLAN POE

O CORVO
      (de Edgar Allan Poe)

    Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
    Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
    E já quase adormecia, ouvi o que parecia
    O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
    "Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.

    É só isto, e nada mais."

    Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
    E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
    Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
    P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
    Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,

    Mas sem nome aqui jamais!

    Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
    Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
    Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
    "É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
    Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.

    É só isto, e nada mais".

    E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
    "Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
    Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
    Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
    Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.

    Noite, noite e nada mais.

    A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
    Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
    Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
    E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
    Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.

    Isso só e nada mais.

    Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
    Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
    "Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
    Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
    Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.

    "É o vento, e nada mais."

    Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
    Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
    Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
    Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
    Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,

    Foi, pousou, e nada mais.

    E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
    Com o solene decoro de seus ares rituais.
    "Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
    Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
    Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."

    Disse o corvo, "Nunca mais".

    Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
    Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
    Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
    Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
    Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,

    Com o nome "Nunca mais".

    Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
    Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
    Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
    Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
    Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".

    Disse o corvo, "Nunca mais".

    A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
    "Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
    Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
    Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
    E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais

    Era este "Nunca mais".

    Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
    Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
    E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
    Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
    Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,

    Com aquele "Nunca mais".

    Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
    À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
    Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
    No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
    Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,

    Reclinar-se-á nunca mais!

    Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
    Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
    "Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
    O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
    O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"

    Disse o corvo, "Nunca mais".

    "Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
    Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
    A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
    A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
    Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!

    Disse o corvo, "Nunca mais".

    "Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
    Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
    Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
    Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
    Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"

    Disse o corvo, "Nunca mais".

    "Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
    Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
    Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
    Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
    Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"

    Disse o corvo, "Nunca mais".

    E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
    No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
    Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
    E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,

    Libertar-se-á... nunca mais!

    clique aqui e saiba mais sobre Edgar Allan Poe

    (TRADUÇÃO)Fernando Pessoa

segunda-feira, agosto 27, 2007

ISA I

Queria poder te contar o que sinto,
Mas não posso, pois nosso tempo acabou.
Como o vento que vem e que passa,
Deixa sua essência e nos permite aproveitá-lo.
Queria poder ver-te,
abraçar-te e contar como foi meu dia,
Saber como foi o seu e talvez te entender
Minha alma se prende a sua,
Deixa então o desejo de dois corpos
Que ânsia por prazer.
Queria poder te contar o que sinto,
Mas todas as vezes eu minto
Digo que está tudo bem e tal.
Estar sem você me faz tão mal.
Queria poder não sentir mais minhas lágrimas,
Esquecer um coração já abandonado,
Talvez enganado,
Coração que acreditava em sua fortaleza,
Hoje já não existe tanta certeza.

Isa Lima

quinta-feira, julho 19, 2007

RAQUEL I

UM ANO MAIS


Ah tempo!
Devolve a minha juventude!
Como eram bons os tempos
Em que discorria as palavras
Sob a volúpia das décadas remotas!
Hoje meus versos são nostálgicos

E remetem os jubilosos anos
Que já não voltam.
Tempos que me foram

Junto a pessoas que conheci
Com sonhos que, hoje,
Alguns vejo realizados,
Outros, ah outros!

Se foram com o passado.

Raquel Soares


terça-feira, julho 10, 2007

CLAUDIO "SAÚVA" II

PAISAGEM NATURAL

Uma noite
Igualmente ao entardecer
Com o nascer da Lua
Houve uma transformação
As trevas
Foram iluminadas
A noite tornou-se dia
Em um local especial
Por onde
Infâncias foram esquecidas
Juventude vivida
Tão intensamente
Quanto se o tempo não existisse
As horas se transformam
Em apenas
Um sussurrar no silêncio
entre duas pessoas
Que se entreolham
Sob o efeito
De estarem hipnotizadas
Pela luminosidade azulada
Da Lua cheia.

Cláudio “Saúva”.

domingo, junho 24, 2007

GUILHERME CABRAL I

Segue abaixo uma contribuição bastante interessante... uma letra de música escrita por Guilherme Cabral, grande figura de Nova Iguaçú, com seu devaneio poéticos bastante particular, Guilherme nos mostra uma letra de rara delicadeza e singeleza.
Tenho também a honra de anunciar em primeira mão a criação de um blog dele também, chamado ESTORIETA, www.estorieta.blogspot.com
Abaixo algumas palavras do próprio.

"Essa poesia retrata o momento em que encontrei a mulher da minha vida. Uma companheira que me deu o mais puro e verdadeiro amor... Eu acho que como quase nunca, consegui passar pro papel a melhor forma de representar nossa relação do nosso ponto de vista.As metáforas encontradas nessa letra são terminantemente vísiveis aos olhos de quem ama.Ou ao menos, se importa com outra pessoa dessa forma. Da forma como te amo e me importo com ela."

Metrô Pra Del Castilho


Olha, aqui eu vim
te ver
Enfrentei meu novo ser
Procuro um estar, em te encontrar
Mas quero mesmo te ter

Viajei pelo Saara
transgredi a vida clara
Sei que amor valeu a pena
Vida calma e serena,
vem ser feliz ao lado teu

Passei por Stockolmo
Eu voltei pra ver Macondo
Ve-la ruir, não me esqueci
Do meu amor por você
Tókio iluminada, linda!
Nova York, neve eu via
Só me serviu, pra me servir
Das flores que te mandei

E depois de tudo isso
Encontrei querido Rio
Peguei metrô, nem demorou
Pra chegar em del Castilho
Eu te encontrei meu amor

Letra:Guilherme Cabral

segunda-feira, junho 04, 2007

POEMA COLETIVO III

Segue abaixo o poema coletivo criado a várias mãos no sétimo poesia na varanda

POEMA COLETIVO III

Porque EU?
Na escuridão
No clarão
Na lua
No abismo
No alto
Então quem sabe, eu?
No vão
Na contra mão
Quem sabe no NÃO?
Entre os carros quem vem e vão.
No som de uma canção
Feita por João
Num encontro
De asas e vento
Sangue e saliva
Sopa, sapato,
Sonho sadio
Simplesmente eu vivo
Simplesmente eu luto
EU, LUTO.
E não consigo
Sofro e não vivo
Espero a hora que não chega
Que quem sabe nem existe
Porque só eu?
Na escuridão que persiste me atormentar
Até a hora de a minha felicidade chegar.
Porque eu?
A pergunta que não quer calar.
Porque eu?
Que cheguei agora...Tenho que terminar?
Nem sei se mereço!
Ah! E isso não é o fim
E sim o começo!
Talvez sim
Talvez não.

POESIA NA VARANDA



terça-feira, maio 15, 2007

HUGO ANDRADE II

Assalto no centro do Rio

Os marujos estão chegando.
É hora de assalto na Praça Mauá.
Ao longe imponente,
A ponte, vibrando,
Recebe em seu leito,
Mil homens de sonhos
Que vão e que voltam
Em busca da vida,
E outros que pagam
O funesto pedágio
E saltam, pirados,
Em busca da morte,
Nos braços do mar.
É hora de assalto na Praça Mauá.
Sirenes tocando e o cerco total.
Seis tiros! Dez tiros!
Ninguém sabe ao certo o saldo final.
O Sol vai fugindo...
Mulheres na rua
Procuram apressadas o rumo do lar.
Tempero, panela, na globo, a novela.
“Meu Bem, vem jantar”.
A noite abafou
Com sua chegada
O Selvagem conflito
Passou abraçado
Com a Dama da Noite.



Hugo de Andrade

CALBER I

Rufião

Estou Longe de ser
Mas digamos
De passagem
Você foi minha musa
Eu não minto
E Você se achava
Um pedaço
De carne
Na boca do faminto

Calber “soneca”

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

JORGE CLAUDIR I

IDILICO I


O desejo dissolvido em Mar,

Molhou os teus olhos

E os teus cabelos.


Na água havia certo ingrediente:

Sal, Sol, iodo, areia,

Estranhos preparos

Pra teu corpo quente.


Indiferente que eras sereia,

E tinha feitiço

Do Mar tu figiste.


Pela última vez o Mar te beijou.

Foi quando a água molhou teus cabelos,

Teus cabelos molharam teu coipo

E o teu corpo deitou na areia.


O desejo dissolvido em mar,

Molhou os teus olhos, beijos teus cabelos.


E eu senti poder envolve-los.

E eu senti poder envolve-los,

Porque também era

Pedaço do mar...


JORGE CLAUDIR, andarilho (SP).

sexta-feira, janeiro 26, 2007

HELIO ANDRADE III

DIALETOS DA DOR


Eu estou perto,

A maré não concorda,

Quase nunca acerto

E o som das vaias não me incomoda.


Eu sou o pequeno,

O cego ferido,

O ódio contido,

A doce derrota,

Um livro esquecido

Eu sou o que vinga

O que não esquece,

O índio que não empalidece,

A mendiga maltrapilha na noite de natal,

Eu sou vergonha nacional.

Sou freira de pé e bicho de chão

Sou nordestino de peixeira na mão.

Africano selvagem,

Lanças contra a corporação.

Eu pinto a história com breu,

Toco canções esquecidas

que lembram você e eu.

Ironia desafinada de supôsto requien

Tenho os chifres de um querubim.

Eu não tenho mapas,

Idéias, conteúdo ou direção,

Eu abro caminho a força

Enfiando o dedo na cara da multidão,

Gritando com urros tribais

E levando os culpados para o porão.

Mesmo sem asas eu alcei vôo,

Eu estou contra o vento

traduzindo os dialetos da dor

que encontrei perdidos no tempo.


Helio Andrade